Ocorrência serve de alerta e reafirma necessidade de ter vacinação em dia
Um macaco encontrado morto próximo à comunidade de Moreiras, área rural de Patos de Minas, teve resultado de exame positivo para febre amarela. A confirmação foi notificada ao município no fim de outubro, e tão logo agentes comunitários de saúde visitaram moradores dessa redondeza para conferir os cartões de vacina. A equipe da Unidade de Vigilância de Zoonoses também realizou busca ativa por outros primatas mortos no local.
A ocorrência indica que o agente causador da febre amarela está ativo naquela região, mas é importante ressaltar que os primatas não transmitem a doença, e são sim importantes sentinelas, ou seja, sinalizam a circulação do vírus. A transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados, sendo a vacinação a principal medida de prevenção.
"É muito importante que, ao encontrar primatas doentes ou mortos, a população não toque neles nem remova-os, mas sim comunique a prefeitura, por meio do Centro de Controle de Zoonoses, informando a localização do animal, sempre que possível indicando um ponto de referência", explica a diretora de Vigilância em Saúde de Patos de Minas, Lílian Marinho. "Não é preciso criar pânico com essa confirmação, muito menos matar os macacos, mas sim verificar se a vacina contra a febre amarela está em dia", acrescenta.
Vacinação e articulação regional - A Secretaria Municipal de Saúde está intensificando a vacinação e a conferência das cadernetas. As doses já aplicadas e comprovadas no cartão serão lançadas no sistema quando ainda não estiverem registradas. Já as pessoas com vacinação pendente serão orientadas a atualizar o esquema.
Considerando a ocorrência em Moreiras, a Secretaria de Saúde solicitou a inclusão de Patos de Minas no memorando estadual sobre a intensificação da vacinação. A cobertura vacinal contra febre amarela registrada no município é de 86%, diante da meta de 95% preconizada pelo Ministério da Saúde.

Alerta da Vigilância em Saúde - O cenário regional em acompanhamento inclui informações sobre a possível dispersão de uma sublinhagem do vírus da febre amarela pela região de Uberlândia e de outra pela Bacia do Rio São Francisco, na qual a comunidade de Moreiras está inserida.
As matas ciliares podem funcionar como corredores de dispersão no ciclo silvestre da doença, o que reforça a necessidade de manter a vigilância de primatas doentes ou mortos nas comunidades próximas a esses trechos. O exame realizado no animal recolhido confirma a presença do vírus, mas a sublinhagem desse evento ainda não foi informada.
Sobre a doença - A febre amarela é uma doença grave, com letalidade que pode chegar a 60% nos casos graves. Ela possui dois ciclos de transmissão, sendo eles:
urbano: a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados;
silvestre: os transmissores são mosquitos com hábitos predominantemente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes.
Os sintomas iniciais da infecção são: começo súbito de febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dor nas costas e no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza.
No caso de encontrar algum primata doente ou morto, a população deve entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses: (34) 3822-9624 - ligações das 7h às 18h e WhatsApp.